FGTS de 50 milhões de trabalhadores é afetado por rombo de R$ 79 bilhões; dinheiro pode ser recuperado
Levantamento aponta R$ 79 bilhões não depositados por empresas; trabalhador pode consultar se há valores pendentes no FGTS14/09/2026 às 08h20

O FGTS deixou de receber R$ 79 bilhões em depósitos de empresas, segundo levantamento do IFGTFoto: Reprodução/ND Mais
O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 50 milhões de trabalhadores é afetado por R$ 79 bilhões que deixaram de ser depositados por empresas, segundo levantamento do IFGT (Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador). O fundo completa 60 anos nesta segunda-feira (14).
Apesar do valor bilionário, parte desse dinheiro pode ser recuperada pelos trabalhadores. Segundo o presidente do IFGT, Mario Avelino, pelo menos 95% das empresas que possuem débitos continuam em atividade. Há também companhias que faliram ou estão em recuperação judicial.
Os R$ 79 bilhões estão divididos em duas frentes. Uma delas reúne R$ 12,6 bilhões em notificações recentes da Caixa Econômica Federal, com impacto direto sobre 11 milhões de trabalhadores. A outra, que concentra a maior parte do valor, soma R$ 66 bilhões em dívidas de 500 mil empresas inscritas na Dívida Ativa da União.
Empresas devem R$ 66 bilhões em depósitos do FGTS
A cobrança dos R$ 66 bilhões inscritos na Dívida Ativa da União está sob responsabilidade exclusiva da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional). As informações são do R7.
Já os R$ 12,6 bilhões restantes aparecem em notificações recentes da Caixa e atingem diretamente 11 milhões de trabalhadores.
O levantamento do IFGT que aponta o impacto sobre 50 milhões de trabalhadores utiliza dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e da PGFN.

Pelo menos 95% das empresas devedoras do FGTS continuam em atividadeFoto: Reprodução/Jornal Contábil/ND Mais
Como saber se a empresa não depositou o FGTS
O trabalhador pode verificar se os depósitos do FGTS estão sendo feitos corretamente pela empresa por meio do extrato disponível no aplicativo oficial do fundo.
O IFGT também lançou uma ferramenta gratuita para identificar possíveis valores não depositados. A plataforma FGND (Fundo de Garantia Não Depositado) realiza uma auditoria automatizada a partir do extrato do trabalhador.
Para fazer a análise, é necessário gerar o extrato do FGTS em PDF pelo aplicativo oficial da Caixa e inserir o arquivo na plataforma. O sistema gera um relatório que indica os meses em que não houve depósito e os respectivos valores.
Em caso de diferenças ou ausência de depósitos, o trabalhador também pode fazer uma denúncia à ouvidoria do Ministério do Trabalho e Emprego.
Como consultar o extrato do FGTS
O extrato pode ser consultado pelo aplicativo FGTS (Android ou Apple), da Caixa Econômica Federal. Além de acompanhar os depósitos feitos pelo empregador, o trabalhador pode consultar o saldo, atualizar dados e solicitar saques quando estiver enquadrado nas situações previstas em lei.

Trabalhadores podem consultar o extrato do FGTS para verificar se os depósitos estão sendo feitos corretamenteFoto: Reprodução/ND Mais
Como acessar o aplicativo FGTS
Quem ainda não utiliza o aplicativo deve procurar por “FGTS” na loja de aplicativos do celular e instalar a plataforma oficial.
No primeiro acesso, é necessário fazer o cadastro com CPF, nome completo, data de nascimento e e-mail, além de criar uma senha numérica de seis dígitos.
Após o preenchimento das informações, o usuário recebe um e-mail para confirmar o cadastro. Depois, basta entrar no aplicativo com CPF e senha, responder às perguntas solicitadas sobre a vida profissional e aceitar as condições de uso.
FGTS completa 60 anos
O FGTS foi criado em 1966 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1967. Entre os objetivos estavam financiar a construção de imóveis e criar uma reserva financeira vinculada ao trabalhador.
Com o fundo, as empresas passaram a depositar mensalmente o equivalente a 8% do salário do funcionário em uma conta individual.
Inicialmente, os recursos eram administrados pelo BNH (Banco Nacional da Habitação). A gestão posteriormente passou para a Caixa Econômica Federal.
Atualmente, o dinheiro do FGTS pode ser sacado ou utilizado somente nas situações previstas em lei. Entre elas estão demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria e algumas doenças graves.